Saber e crescer

Todos falam muito sobre a importância da capacitação e desenvolvimento de competências. As empresas pregam isso e os profissionais fazem coro. Mas, mesmo assim, tanto as empresas quanto os profissionais encontram dificuldades em lidar com o trade-off “desenvolvimento profissional” versus “investimento”.

Em muitos casos ocorre o investimento ineficiente, com baixas chances de retorno. Kaplan e Norton já deixaram clara a importância de se balancear os investimentos para garantir o maior retorno possível. Em termos de desenvolvimento de competências, realizar um diagnóstico para compreender as competências realmente necessárias e os pontos fracos de um profissional ou de uma equipe, seria o primeiro passo. Mas dificilmente é feito assim.

Determinadas organizações chegam ao absurdo de perguntar aos próprios profissionais que treinamentos eles gostariam de receber. Então, vem aquela lista desconexa e desbalanceada, com pedidos de treinamento em Linux, Assembly, Lógica Fuzzy, SPSS, Word, e sabe-se mais o quê. É pouco provável que o conjunto de competências adquiridas com esses investimentos agregue valor efetivo ao negócio da organização.

Por vezes o investimento em educação é visto como prêmio para o funcionário, e não como a poderosa ferramenta de negócio que é. Se um profissional é exemplar e desempenha bem suas funções, ele ganha treinamentos e viagens para seminários. Esta abordagem pode não ser a melhor, até porque aquele não desempenha bem as suas funções pode estar precisando de capacitação para fazê-lo.

Do ponto de vista individual também há equívocos. Alguns acreditam no poder “mágico” do instrumento. Nessa linha, para se tornar um grande escritor o primeiro passo é comprar a última versão do Word e a melhor impressora do mercado. Ou para se tornar um grande fotógrafo o caminho passa pela aquisição de uma máquina digital de 12 megapixels e pronto. É mais ou menos como as organizações que acreditam que comprar um ERP resolverá seus problemas de processos e estrutura organizacional mal definidos.

Mas é importante lembrar que os grandes nomes da literatura e da fotografia, os imortais, utilizaram recursos tecnológicos risíveis nos dias de hoje. E que a maioria das grandes organizações, as líderes de mercado, já eram líderes antes de toda esta onda tecnológica. Quer dizer que a tecnologia não ajuda os profissionais e as organizações? Longe disso. Mas a tecnologia não faz os profissionais e as organizações serem os melhores. O que faz isso é a aptidão, o talento, a competência e muita vontade. Com isso, é possível fazer belíssimas fotografias até com uma caixa de papelão.

Outro problema de alguns profissionais é a famosa transferência de responsabilidade. Eles esperam que as organizações em que trabalham invistam em sua educação, e se lamentam repetidamente quando isto não acontece. Se a organização não faz isso, é uma pena mesmo. Mas não esqueça que a vida é sua, e você é o responsável principal por fazê-la dar certo.

O fato é que quem sabe mais aumenta suas probabilidades de evoluir, de se tornar amanhã mais do que aquilo que é hoje. Saber e crescer são dois lados de uma mesma moeda. Então, que cada uma cuide da sua, e que as organizações consigam manter em casa as suas pratas.

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